Vale a aposta em uma análise com crianças?

Algumas observações sobre a Psicanálise Infantil

Autores

DOI:

https://doi.org/10.31683/stylus.v1i51.1204

Palavras-chave:

Psicanalise com crianças, função materna, sujeito do inconsciente, sintoma parental, fantasia

Resumo

O artigo apresenta uma análise psicanalítica a partir do caso clínico de uma criança de 11 anos que manifesta sintomas emocionais e somáticos, como gagueira e asma, em decorrência de experiências de bullying escolar. Examina-se o sintoma como expressão da verdade inconsciente do casal parental e da posição subjetiva da criança como objeto do desejo da mãe. Observa-se a ausência de uma função paterna operante como fator determinante na constituição do sintoma e na fragilidade emocional. A discussão fundamenta-se na teoria lacaniana, abordando a especificidade do tempo lógico infantil e questionando a predominância da perspectiva desenvolvimentista. O texto evidencia o papel do analista como parceiro da demanda tanto da criança quanto dos pais, destacando como o sintoma possibilita uma tentativa de inscrição subjetiva frente ao Outro. A análise oferece à criança um espaço para a elaboração de seu sofrimento, favorecendo a construção de um modo singular de lidar com o gozo e os fantasmas parentais. Reafirma-se a legitimidade e singularidade da clínica psicanalítica com crianças, reconhecendo sua capacidade de alcançar o sujeito do inconsciente desde a infância.

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Biografia do Autor

Dulcemara Machado Dedino, Universidade de São Paulo USP

Doutoranda em Psicologia pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras (FFCLRP - USP).

Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Membro do laboratório de pesquisa AD-Interfaces (CNPq).

Bolsista CAPES.

Membra do Fórum do Campo Lacaniano de São Paulo - IF-EPFCL

Referências

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Publicado

16-10-2025

Como Citar

Machado Dedino, D. (2025). Vale a aposta em uma análise com crianças? Algumas observações sobre a Psicanálise Infantil. Revista De Psicanálise Stylus, 1(51), pp. 137–147. https://doi.org/10.31683/stylus.v1i51.1204

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