A demanda de felicidade e a resposta da ética da psicanálise
DOI:
https://doi.org/10.31683/stylus.v1i51.1229Palavras-chave:
Psicanálise, Felicidade, Gozo, Ética, InvençãoResumo
Em um tempo em que a felicidade se tornou um imperativo moral e um ideal de performance, a psicanálise oferece um contraponto radical: ela não promete bem-estar nem realizações plenas, mas sustenta a escuta de um sujeito dividido, em confronto com o real e com a própria falta. A partir de Freud e Lacan, este artigo propõe problematizar o estatuto da felicidade na contemporaneidade, abordando seus impasses éticos, clínicos e culturais. Freud já advertia, em O mal-estar na civilização, que não há caminhos seguros para a felicidade; ela é episódica e sempre ameaçada pelas instâncias do corpo, do mundo externo e das relações com os outros. Lacan, por sua vez, desloca a promessa de felicidade para o campo do gozo: não se trata de um bem supremo, mas de sair de uma repetição sintomática para um sinthoma conquistado.
Em meio à ascensão do discurso do bem-estar, nota-se a generalização de uma posição subjetiva que se assemelha ao infantil: o sujeito contemporâneo é convocado a buscar no Outro — seja o mercado, a ciência, ou a terapia normativa — uma resposta total, uma felicidade sem falhas, como se fosse possível escapar ao mal-estar estrutural. Essa “criança generalizada”, presente tanto na clínica quanto na cidade dos discursos, aparece como destinatária de promessas de adaptação, positividade e plenitude emocional. Como uma fresta a essa posição infantil, a psicanálise propõe um deslocamento ético à medida que não se ocupa de ajustar o sujeito ao ideal do Outro, mas de convidar o sujeito à invenção a partir do ponto de falta.
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Referências
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